Patrões pedem a Gaspar para flexibilizar acordo com a "troika"
Parceiros patronais reúnem com Gaspar antes da vinda da 'troika'.

Os presidentes das confederações do comércio e da Indústria vão pedir ao ministro das Finanças a redução no pagamento de jutos do empréstimo de 78 mil milhões de euros contraído no âmbito da assistência financeira a Portugal. A proposta de flexibilização do resgate incide ainda nos prazos das metas do défice e será dirigida a Vitor Gaspar na próxima reunião com os parceiros patronais, antes da vinda da 'troika' para a quinta avaliação.no encontro, serão discutidas medidas para a competitividade das empresas e relançamento da economia.

O apelo dos patrões surge depois do FMI ter deixado a porta aberta em reuniões bilaterais que realizou, em Junho, com alguns dos parceiros patronais para uma eventual poupança com juros.

"Os parceiros patronais têm reuniões programadas, ainda não agendadas, com o ministro das Finanças, antes da vinda da 'troika' no final de Agosto. Pretendemos apresentar algumas medidas que visem facilitar o programa de ajustamento, nomeadamente o alargamento de prazos e a redução dos juros do empréstimo a Portugal", avançou ao Diário Económico António Saraiva, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP). Este responsável manifesta o desejo de consenso de todos os patrões num conjunto de medidas para estimular a competitividade e o relançamento da economia e também para a flexibikização do acordo.

António Saraiva recusa confirmar a disponibilidade da 'troika' para uma redução dos juros pagos pelo empréstimo, justificando que "a CIP não divulga os pormenores destas reuniões". Mas diz que esta é uma hipótese que veria "com bons olhos, pois aliviaria o esforço do Governo permitindo uma folga ao serviço da economia e das empresas".

Também João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) é peremptório: "Em todos os contactos com o Governo, estaremos dispostos a defender condições mais aliviadas para cumprir os objectivos".

Para a CCP é altura de recuperar o atraso nas medidas viradas para o crescimento, Vieira Lopes diz mesmo que o modelo que está a ser seguido está errado. "A destruição do tecido económico não consegue ser compensada pelo aumento de exportações, que quanto muito garantirá mais de 150 mil empregos", defende, reafirmando a necessidade de aliviar a carga fiscal das empresas e perda de rendimentos dos portugueses.

Já António Saraiva deixa o alerta: "Se isto é uma maratona, dêem-nos, pelo menos, algumas vitaminas para podermos chegar ao fim do caminho, sob pena de sucumbirmos". O presidente da CIP recorda que, em 2011, o Governo garantiu uma poupança de cerca de 500 milhões de euros (prevista do Rectifivativo deste ano), após a redução dos juros dos empréstimos bilaterais a Portugal. "Há aqui uma estrada para ser feita, que conjugada com a redefinição dos prazos dá mais espaço para a economia e as pessoas respirarem", afirma o líder da CIP, alertando, uma vez mais, para a necessidade "urgente" de financiamento das empresas.

in Diário Económico (16 de Julho 2012)