Comentários do Presidente da CCP à comunicação do Ministro das Finanças
A comunicação do senhor ministro das Finanças não trouxe novidades, apenas a confirmação da necessidade, que temos vindo a apontar, de revisão da estratégia para o país.

Cinco notas sobre esta comunicação:

1. A revisão de agravamento da queda do PIB de 1% para 2.3% ocorre num período de três meses, e a sua dimensão não decorre exclusivamente da degradação do contexto europeu já previsível, mas da adopção de um conjunto de políticas recessivas exageradas, e que tudo aponta se irão manter;

2. A taxa de desemprego anunciada significa que, na prática, vamos chegar em 2013 ao histórico valor de 20 por cento; não menos grave é que esta tendência se irá manter nos próximos anos o que revela que o Governo não tem soluções para o relançamento da economia portuguesa.

3. O diferimento das metas do défice é apenas a consequência dos objectivos irrealistas anteriormente definidos, parecendo já evidente que esta revisão não será suficiente.

4. O corte, mal explicado, de 4 mil milhões na despesa foi adiado para 2014, mas os problemas estruturais que eventualmente o justificariam, persistem.

5. Não foi anunciada nenhuma medida significativa para relançar o investimento e melhoria do acesso ao crédito, fundamental para assegurar a continuidade das empresas e a criação de emprego.